quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O Circo da Noite (Erin Morgenstern)

Sinopse: Sob suas tendas listradas de preto e branco uma experiência única está prestes a ser revelada: um banquete para os sentidos, um lugar no qual é possível se perder em um Labirinto de Nuvens, vagar por um exuberante Jardim de Gelo, assistir maravilhado a uma contorcionista tatuada se dobrar até caber em uma pequena caixa de vidro ou deixar-se envolver pelos deliciosos aromas de caramelo e canela que pairam no ar. Por trás de todos os truques e encantos, porém, uma feroz competição está em andamento: um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, treinados desde a infância para participar de um duelo ao qual apenas um deles sobreviverá. À medida que o circo viaja pelo mundo, as façanhas de magia ganham novos e fantásticos contornos. Celia e Marco, porém, encaram tudo como uma maravilhosa parceria. Inocentes, mergulham de cabeça num amor profundo, mágico e apaixonado, que faz as luzes cintilarem e o ambiente esquentar cada vez que suas mãos se tocam. Mas o jogo tem que continuar, e o destino de todos os envolvidos, do extraordinário elenco circense à plateia, está, assim como os acrobatas acima deles, na corda bamba.

Poucas vezes na vida me deparo com obras de arte tão louváveis. Pelo meu gosto eu não diria ser tão incomum me deparar com livros bons, estou sempre a encontrar belas pérolas com ótimos enredos, escritas envolventes, ideias inovadoras. Mas eis aqui algo que vai além disso. Algo que roubou um espaço em meu coração e agora montou seu pedestal nele, uma estatua que ali residirá até o fim dos tempos. Eu estou falando de O Circo da Noite.

Demorei meses para ler O Circo da Noite, pura enrolação. Simplesmente não queria que essa experiência tivesse um fim, eu não queria interromper esse sonho! Mas, infelizmente, sonhos acabam. E esse foi o melhor dos sonhos.

Erin escreve com a leveza de uma fada, dá vida a detalhes e sentimentos que apenas uma maga poderia conseguir, o que me leva a acreditar ainda mais nos mágicos e encantadores do Cirque de Rêves. Eu me encontrava em devaneios deliciosos enquanto deslizava pelas páginas de O Circo da Noite, com um sorriso no rosto ou lágrimas quentes nos olhos. Várias vezes me encontrei no ápice de minhas emoções durante a leitura, a ponto de rogar que o circo de fato existisse e que eu pudesse comprar uma entrada para ele, para vagar por entre as tendas, para compartilhar da experiência dos personagens que o faziam. 


A história se constrói com o passar das páginas de maneira lenta, mas que proporciona um proveito bem interessante, dando a possibilidade de nos aprofundarmos mais nas entrelinhas e conhecermos mais os lugares e as personagens que nos eram apresentados. Temos uma variedade de personalidades fantásticas, com reviravoltas que me levaram a odiar e amar personagens que eu imaginara já ter uma opinião pronta. Fantástico.

Nesse livro a mágica é muito mais do que mágica, e, claro, não pretendo dar mais detalhes, quero que você leia e você desfrute dessas descobertas. Mas esteja preparado para se esbaldar no doce e no amargo de um mundo mágico e vívido, num clima de época que só melhora tudo!

Virei um Rêveur.

Esta resenha é mais para narrar a experiência incrível que tive do que contar a história, pois acho que isso é algo que não se pode resumir em um simples paragrafo ou em dez páginas. Só lendo mesmo. Mesmo que o final não tenha sido tudo o que eu pensei, não tenho do que reclamar. Erin soube usar as palavras certas, os diálogos certos, as belezas certas para findar com magia o que já estava cheio de perfeição. A melhor fantasia que já li.


5/5

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Até mais!


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Maretenebrae - A Queda de Sieghard (L. P. Faustini & R. M. Pavani)

Sinopse: Província de Bogdana, Sieghard, ano 476 após unificação Uma desconhecida força invasora irrompe pelo Grande Mar e ataca a costa protegida pelos soldados da Ordem utilizando-se de navios nunca antes vistos. Imensos. Terríveis. Destruidores. Ao mesmo tempo, uma estranha peste se espalha pelas comarcas do reino, cegando e invalidando sua população. Nobres e plebeus se nivelam padecendo do mesmo e misterioso mal. Em uma iniciativa desesperada, Sir Nikoláos de Askalor, o oficial responsável por defender a Ordem, abdica de todos os planos e estratagemas para investir de uma só vez contra os inimigos, sem saber que assim cairia na armadilha preparada por eles. Com suas fileiras dizimadas, o exército da Ordem recua e toma a direção do Domo do Rei para defender seu soberano, Marcus II, O Ousado, cuja vida representa a perpetuação dos valores ordeiros. Para um pequeno grupo, porém, composto por Roderick, Petrus, Chikara, Heimerich, Braun, Formiga e Victor Didacus - cada qual personificando um dos sete pecados capitais -, as sucessivas derrotas do reino são apenas o início da maior de todas as suas aventuras e desventuras. Diante deles, e de suas incontáveis diferenças, assombra-se um grande plano arquitetado por Destino. Serão eles capazes de enfrentá-Lo? 

Aqui está uma leitura que eu já estava querendo fazer há anos. Maretenebrae sempre teve algo que me atraísse: fosse a belíssima capa com a qual me deparei tempos atrás, ou com a sinopse bem criativa que encontrei no Skoob, eu tinha que ler essa obra nacional de fantasia. A última gota para minha vontade transbordar, foi a vinda desta nova e ma-ra-vi-lho-sa capa; que esplendor! Não suportei mais e tive de correr para ter com os autores e arranjar um exemplar para mim. Já vindo bem a calhar, o pessoal do grupo Livros de Fantasia e Aventura organizou uma leitura conjunta do livro, o que bastou para que eu agarrasse a história das terras do feroz Maretenebrae e a devorasse. 

Devo admitir que me deparei com uma história bem diferente da que idealizei, mas, de maneira alguma, inferior. Pela capa imaginei algo bem mais ligado ao mar, não que não seja, o tal do Maretenebrae é uma figura muito importante na trama, de uma maneira bem mais interessante da que pensei, quase uma entidade viva. Mas, o que encontrei, foi um livro bem mais focado em personagens, na humanidade. A Queda de Sieghard parte da ideia interessantíssima de personificar sete protagonistas em sete pecados e sete virtudes, o que acaba permitindo uma identificação bem própria e interessante. Claro, tem um probleminha aqui e ali, acho que mais por ir fundo demais nas identidades de algumas personagens em devidos momentos, mas nada prejudicial, nada que tenha realmente me incomodado. Carregando toda a história, Sir Heimerick, Braun, Chikára, Pétrus, Formiga, Roderick e Victor Dídacus mostram-se criaturas bem distintas e carismáticas, cada qual de sua maneira.


O enredo é daqueles que progridem com o decorrer da leitura. Os momentos de ação vão sendo mais frequentes e sérios, a aura fantástica é proposta de maneira convincente. A Queda de Sieghard é, no limite do possível, bem "pé no chão", o jeito que tudo é encarado faz do livro bem crível para fans do gênero. A mitologia criada pelos autores mostra muito estudo e esmero, extrema capacidade criativa, sempre apresentada com uma narração elogiável e - muitas vezes - filosófica.

O primeiro de prováveis quatro livros é bem sucedido no que aparenta querer chegar. Sem palavras para o final, que conta com a elaboração das cenas emocionantes, que instigam até a última página, baseadas em habilidosas descrições.




Efins por enfins, apreciei a leitura, que, junto a  Garras de Grifo, quedou-se entre minhas favoritas no cenário nacional. Apaixone-se por Roderick e que a Ordem o guie!

4/5



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O Unitário (Pedro Puech)

O Unitário
Autor: Pedro Puech
Editora: Rocco
Páginas: 240
Ano: 2009

Genial em sua particularidade


Muito se pode imaginar quando se pega um livro sobre a inquisição; quase podemos prever isso e aquilo, imaginar aspectos característicos e pressupor diversas coisas. E é justamente quanto a isso que O Unitário é tão especial: ele é singular. Ainda que encontremos elementos clássicos (e praticamente indispensáveis), do período, O Unitário é muito abrangente e especial, resultando em um texto inteligente que, ainda por cima, não se torna demasiadamente complicado ou denso. Pedro Puech escreve de maneira fluida e leve, utilizando de vocabulário popularmente inteligível e comum, facilitando o compreendimento a um nível que leva a adentrar na realidade sem dificuldade.

A trama se desenvolve muito bem, com reviravoltas aqui e acolá e ótima exploração de localidades; viajamos por grande parte da Europa Antiga e a descrição descontraída e realista de Puech pelo jovem estudado protagonista é ótima no que aparenta querer nos passar. Não há linhas soltas que o enredo não busque responder, tudo é bem amarrado no decorrer do enredo.

Quando terminamos, fica aquele agradável gostinho de missão cumprida, logo que o desfecho é cabal e redundante. A sensação que prega-se ao leitor é plena, absoluta, quase como se tivéssemos acabado de ler um texto histórico do colégio a respeito de um período que apreciamos, em que os fatos se fecham e estamos preparados para a próxima matéria.

No fim do livro, após sua conclusão, também temos considerações muito interessantes do autor, notas a respeito dos fatos e personagens citados, bibliografia muito bem organizada e até poucas imagens de coisas relacionadas à história (dã, isso é óbvio!). 

Não sei muito mais o que dizer, já que não consigo encontrar pontos negativos na obra. Não diria que tornou-se um dos meus favoritos, mas, com certeza, sempre estará na minha memória como uma agradável leitura, completa, divertida. E brasileira, o que enaltece um orgulho gostosinho da nossa pátria.


Então, acho que é isso. Espero que tenham apreciado, e perdão pela demora (já é quase meia noite...). Em suma, essa é minha deixa, guris. Boa noite!

domingo, 17 de agosto de 2014

Uma heroína chamada leitura

Médicos passam remédios e pastores capítulos e versículos. Bem, eu indico livros.

Ainda que filmes sejam um ótimo ingrediente para te puxar uns momentos da sua vida real e te levar para um lugar onde você não tenha que encarar os mesmos cansativos problemas rotineiros e se afundar em uma realidade nada cômoda, nunca vi algo tão útil para entreter e amenizar a aflição como a leitura. HQ's, revistas, livros (principalmente): essa é a minha remediação.

É muito frequente eu ouvir risinhos abafados e vozezinhas caçoadoras que chamam tal de covardia, uma forma de fugir de seus problemas, ao invés de encará-los. Ora, então, no fim das contas, aqui está algo que sou realmente: um covarde. E, confesso, prefiro ser um covarde feliz que um forte reprimido e exausto; afinal, sempre apreciei mais o viver do que o sobreviver.

É entristecedor perceber como as pessoas estão acomodadas no médio satisfatório, e como se mantêm vivos e menos vívidos, bem no suficiente proveniente de pouco esforço. Juro que não estou a discursar uma rapsódia estúpida e infundada, prefiro encarar isto apenas como uma reflexão pouco inspirada a respeito de uma realidade que, simplesmente, incomoda olhos sonhadores.

Sim, eu me refugio nas páginas de um livro. Eu prefiro navegar em uma fantasia, numa distopia, ou numa tragédia que faça com que meus problemas não pareçam tão ruins. Eu prefiro postergar por alguns poucos instantes minha tediosa e complicada vida (ou talvez algo típico das reclamações esdrúxulas relacionadas a uma adolescência comum). E, se é ser covarde, assim sou. Faço tudo isso com um orgulho (provavelmente cego) e busco relaxar pelo menos em uma pausa para poder enfrentar o todo com um pouco mais de dignidade, um pouco mais de força. Acreditem ou não, é isso o que uma boa (ou péssima) leitura faz comigo.

Acho que todos precisam de algo para acalentar suas horas mais infernais. Eu sou um dependente de leitura, e, se isso me faz bem ou não, resta continuar a ouvir as piadinhas que rodeiam-me. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Resenha: Livro#22: O Cão dos Baskerville

The Hound of the Baskerville
Autor: Sir Artur Conan Doyle
Editora: Melhoramentos
Páginas: 326
Ano: 2008

Um gênio escrevendo sobre um gênio

Sinopse: Uma das mais famosas histórias do detetive Sherlock Holmes. A morte do rico proprietário Charles Baskerville está envolvida em um mistério que envolve uma antiga maldição de família, uma grande herança e um enorme cão fantasmagórico. Holmes e seu assistente Watson são chamados para investigar.

Sir Artur Conan Doyle é um gênio, quase uma espécie rara caçada pelo seu próprio personagem. Já li vários títulos do autor, pelas histórias do famosa e incomparável detetive Sherlock Holmes, e aqui está o meu romance preferido dele.

Existem coisas que sempre esperamos encontrar nos livros, mas, muito frequentemente, algumas estão em falta - o que é quase natural, já que nada é completamente perfeito. Entretanto, quando penso no que se deve esperar de um romance policial de época, não consigo encontrar um elemento que não se encaixe dentro das páginas de O Cão dos Baskerville. O livro alcança medidas fantásticas, repleto de mistério, sagacidade e muita inteligência. Os personagens são bem aproveitados na obra, ambientes inusitados são inseridos e um crime místico e absurdo é colocado de frente aos olhos céticos que não poem nenhum crédito no sobrenatural. Isso seria esperteza ou equívoco.

Conan Doyle conduz todo o enredo com muita astúcia, pesando bem o encaixe dos momentos, das descobertas e das confusões. É tudo muito astuto e corajoso, enrolando-nos numa trama que vai se encaixando e desencaixando, engrandecendo as mais loucas teorias que podemos criar. Não há como não simpatizar com o bromance de Sherlock e Watson e a maneira como cada um se comporta os torna perfeitamente humanos - mantendo-se firme e livre de desencontros com o que se pode acreditar - e genuínos.

E podem esperar um final que surpreende e anima demais, muita emoção, um desfecho delicioso de recordar de novo e de novo. Um pertencente à minha lista de favoritos, de fato. 



Obrigado pra quem leu até o final, tenham um bom dia, noite ou qual horário for aí, quando estiver lindo isto. Essa é a minha deixa, meus caros, abraços!

sábado, 9 de agosto de 2014

|O Veredito| As Crônicas de Nárnia

Todas as resenhas de As Crônicas de Nárnia

Há alguns anos atrás eu ouvia falar de Nárnia pela primeira vez - um novo filme estreara nos cinemas, com um leão falante, centauros, uma feiticeira malévola e uma menina que viaja para outro mundo através de um guarda-roupa mágico. Há alguns anos atrás eu ganhava de minha mãe um dvd de presente, um filme que ela simplesmente pensou que eu fosse curtir. Há alguns anos atrás, me lembro bem, assistia o mesmo dvd, repetidas vezes, todas as manhãs, quando apenas eu estava acordado na casa - era difícil fazer tudo sem que ninguém me ouvisse. Há alguns anos atrás eu me apaixonava por Nárnia.

Naquela época eu não era o que podemos chamar de um leitor assíduo... Talvez, um iniciante. Sempre pedi livrinhos de aniversário para minhas tias e outros parente, entretanto isso é assunto para outro post, imagino. E, hoje, orgulho-me em dizer que foi graças ao maravilhoso universo do Grande Leão que eu sou o viciado em livros dos dias atuais, aquele que as pessoas tanto julgam por pedir livros em vez de aparelhos eletrônicos nas datas comemorativas convencionais. 

Tendo ponto de partida a vontade de saber mais daquele universo fantástico qual eu conhecera através do filme dos estúdios Walt Disney e Walden Media, o comprei o meu primeiro livro com mais de 50 páginas: um lindo volume único com um leão na capa. Inclusive, um volume que arranjou-me muitas discussões - já que minha querida e provocadora de saudades, Vovó Maria, insistia em dizer que ele era um peso para segurar a porta. Foi o primeiro livro em que eu verdadeiramente descobri o que é se entregar a sua imaginação, visualizar tudo a partir de pequenas letrinhas em uma página branca e pálida.


Agora - um pouquinho menos infantil - acho que posso dizer, sem muita puxação de saco que se esperaria de um fã, que o universo de C. S. Lewis é, de fato, mágico. Quando comparamos As Crônicas de Nárnia a todas as outras séries e sagas de fantasia, é simplesmente impossível não notar a distinção. Em vezes negativa, em maioria positiva, a originalidade de C. S. Lewis é incomparável: fantasia, moral e entretenimento. Lewis mostrou muito bem que o sangue e a apelação pode, sim, ser apenas um extra numa obra do estilo, e que a sua falta não é assim tão drástica. As Crônicas de Nárnia são, basicamente, uma série perfeita, seja para entreter uma criancinha antes de dormir, seja para acalmar o coração de um homem adulto, cansado, após um longo dia de trabalho. 

É tudo mágico.

Claro, existem defeitos aqui e ali, mas, onde não existe? A imperfeição está impregnada na carne dos humanos, e isso não é um conceito apenas religioso. O interessante, é que as poucas imperfeições em As Crônicas de Nárnia não fazem dano algum à obra. Ela é original até mesmo nisso. 

Aconselho ainda mais para pessoas religiosas (cristãs, digamos). Vocês irão se divertir bastante com as diversas referências presentes em todos os sete livros. Agora, caso você seja ateu, budista ou adepto a qualquer outra crença e religião, a notícia é: você se divertirá, e isso não o prejudicará. Afinal, são detalhes que podem sim ser percebido, mas não precisam ser percebidos. No fim das contas, todos nós colocamos um pouco do que acreditamos no que escrevemos. Enfim, a religião não é um marco necessário para o aproveitamento do mundo de Nárnia, apenas um detalhe a mais.

Foi maravilhoso passar esta semana fazendo, cada dia, um post sobre uma que posso dizer ser pertencente do topo das minhas sagas preferidas. Se entreguem de uma vez, guris!



Esta é minha deixa, chicos.
POR NÁRNIA E POR ASLAM!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

|Semana Nárnia| Resenha: Livro#21: As Crônicas de Nárnia - A Última Batalha

The Chronicles of Narnia - The Last Battle
Autor: C. S. Lewis
Editora: Martins Fontes
Categoria: Fantasia/Aventura
Páginas: 110 (VOLUME ÚNICO)
Ano: 2010 (VOLUME ÚNICO)

Outras resenhas da série do livro:
O Grande Final

Sinopse: À luz de uma enorme fogueira crepitante, a última batalha de Nárnia está prestes a acontecer. O rei Tirian, ajudado corajosamente por Jill e Eustáquio, terá de enfrentar os cruéis calormanos, num combate que decidirá, finalmente, a luta entre as forças do bem e do mal. Mas, com tantas dúvidas e confusão ao redor, conseguirá o rei Tirian manter-se firme na hora mais negra de Nárnia?

[AVISO] Resolvi fazer as resenhas seguindo a ordem de PUBLICAÇÃO da série As Crônicas de Nárnia, já que, para mim, é a maneira mais correta de se ler. Pode parecer uma frescura boba, mas, na minha posição de tagarela opinador, acho que é muito mais proveitoso se ler nessa ordem, e, por isso, resenhar nessa ordem. Não preciso dizer que este pode conter spoilers do anterior, não é...?

Não foi fácil pegar esse livro e ler. Na verdade, posterguei o máximo que pude... Acho que nunca estive preparado para dar adeus a Nárnia, a Aslam e a todo aquele universo mágico. Ler a última palavra de A Última Batalha foi como fechar uma porta que esteve sempre aberta na minha vida e, não, isso não é exagero. Cresci com Nárnia e, uau, tudo tem um fim.

A Última Batalha é um grande fim, honrável para toda a série, um prêmio, um mártir e um bálsamo. C. S. Lewis conseguiu fazer um capítulo final que nada tem de extremamente dramático, sendo novamente um divertimento. Acho que ele, de fato, soube pesar bem tudo o que precisava ser colocado, medindo bem cada centímetro de sua inspiração. Não há trocas súbitas em relação aos nuances do livro, sendo por fim um enredo crescente, emergente. 

Aqui, o conflito entre o bem e o mal toma novos pontos de vista, em que tudo está muito dividido. As proezas, as crenças, as boas memórias estão todas em um passado remoto, a alguns se sentem tão afastados disso tudo que simplesmente ignoram o que há de melhor em seus corações, preferindo ser realmente cegos. Descrentes.

A Última Batalha é bem mais intenso do que os anteriores. Nesse livro final tudo toma proporções maiores, a fé tem que se superar, os momentos são mais fortes, o breu é ainda mais escuro. Houve momentos em que eu - realmente! - pude me sentir assustado, sabe, aquela sensação de "Ok, melhor não ler isso de noite"? Claro, não foi lá uma sensação de filme de terror... Mas, com certeza, foi algo que eu nunca imaginei sentir com um livro de C. S. Lewis. Em qualquer outra ocasião eu até poderia, sim, dizer que isso ficou estranho no mundo mágico de Nárnia, que não se encaixou. Porém, aqui não posso dizer isso. Pois, em A Última Batalha, olhamos nos olhos do limite da corrupção e do deterioramento de Nárnia.

E os últimos capítulos são de arrepiar, sem a menor dúvida, os mais tocantes e arrebatadores de todos os sete livros. Então, uau, respire, pois, se um dia isso vier a estar no cinema, muita gente vai chorar. Muita gente vai ficar pasma.

Simplesmente não sei como finalizar esta resenha, me perdoem. É difícil de explicar... Ah, de fato acho que o céu caiu na minha cabeça.



Me perdoem, isso foi realmente difícil. Indico plenamente esse livro, só ressalvo um ponto: se preparem.  
Essa é minha deixa, até amanhã, com o final da SEMANA NÁRNIA