quinta-feira, 6 de julho de 2017

SELVA DE GAFANHOTOS - ANDREW SMITH (Resenha)

"Você nunca leu nada igual", diz John Green na capa verde e chamativa do livro da editora Intrínseca. Eu adoro quando me falam a verdade!

Selva de Gafanhotos é um livro único, guarde isso no seu coração. O livro conta a história de um jovem garoto (com muito tesão) chamado Austin Szerba, que tem um amigo inseparável chamado Robby Brees e uma namorada, Shann Collins. Agora, una indecisões amorosas (ou sexuais?), em uma cidade pequena e pouco notável a uma infestação louca de gafanhotos de um metro e oitenta, sanguinários e canibais.

Difícil de acreditar, não? Para mim também foi.

Selva de Gafanhotos foi o segundo livro que li de Andrew Smith. Após memoráveis momentos com Minha metade silenciosa, seu drama YA particularmente tocante, eu tinha altas expectativas com o livro verde lançado em 2015, embora não soubesse muito o que esperar. Não me importava muito. No entanto, após ler a diferente sinopse que a editora lançou (de forma muito superior às sinopses que a Gutemberg lança nos títulos do autor), agarrei esse livro e não o soltei até completar a leitura de todas as 350 páginas. 

A obra de Smith, originalmente publicada em 2014, é dotada de uma leitura rápida, saborosa e dinâmica. Escrita na primeira pessoa, Austin tem pensamentos que ao mesmo tempo são extremamente atípicos e ordinariamente comuns para um garoto adolescente, no famoso período de transição que é bem retratado nos livros de Smith. O livro é extremamente irônico e engraçado, os títulos dos capítulos são únicos (Caiu sangue no seu presunto, Indo a um lugar aonde você não deveria ir, A História é cheia de merda e etc), e são muito fluidos, muito devido à extensão - são capítulos curtos, cada um com a quantidade de informação necessária para fazer jus aos títulos - e ao próprio eu de Austin.

Os personagens aqui criados são muito bem construídos, mesmo que não haja necessariamente um aprofundamento tão amplo fora da "trindade principal" da história. Smith posiciona indivíduos facilmente apegáveis, com características próprias que contribuem para o andamento dos acontecimentos, e que não sobram no enredo apenas por marcar presença. Como de costume, um destaque especial para as coadjuvantes do livro (quem melhor para fazer isso do que o querido Andrew?). Robby é o melhor amigo que todo garoto gostaria de ter, e é indispensável para a trama - tanto nos conflitos de Austin, quanto no próprio "apocalipse" que se anuncia na trama. Shann também tem seu carisma, embora às vezes pareça ofuscada, mas também se faz útil e importante para o seguimento.

A história em si tem toda uma ambientação num estilo meio trash, dando frequentemente a sensação de que tudo poderia estar muito bem inserido num filme de horror antigo, daqueles que você cobre os olhos com cenas tão nojentas quanto arrepiantes. A forma como o autor cria a tensão é extremamente original, te guiando no decorrer das linhas de forma que você sente já saber o que está para acontecer ao mesmo passo que, pasmo, é surpreendido. 

E, claro, uma salva de palmas para a Intrínseca, que fez um trabalho gráfico primoroso na edição. Não encontrei erros muito chamativos em toda a minha experiência, o que contribuiu para a imersão na história. E o livro é completamente lindo, alternando-se todo entre verde e amarelo. A capa é de um verde meio neon muito chamativo e as extremidades das folhas são tingidas de algo como amarelo-limão também notável, de forma que, fechado, o livro é quase um louva-deus em cubo.

Espero que esta resenha anime aos interessados e deixe curiosos os que não conheciam. Estou com o Sr. Verde ao dizer que é uma obra inigualável, acrescentando que é divertida, medonha e TOTALMENTE GROTESCA. Ou seja, é tudo o que se tem de bom e melhor. Tenham todos uma boa leitura!

Nota: 5/5

Essa é minha deixa!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A LENTE DE MARBURY - ANDREW SMITH (Resenha)

A lente de Marbury é o terceiro livro de Andrew Smith publicado no Brasil, precedido por Selva de Gafanhotos (pela editora Intrínseca, que fez um belíssimo trabalho gráfico) e Minha metade silenciosa (drama publicado pela Gutemberg). Em ambas as obras anteriores, me deparei com histórias extremamente originais e escrita muito individual - inclusive se comparados os dois livros, poderia até desconfiar de se tratar do mesmo autor. Logo, Smith tornou-se um autor muito querido para mim, que me comprometi a ler todas as suas próximas obras a serem publicadas aqui. No entanto, A lente de Marbury vem para mostrar que nem tudo é perfeito.

A sinopse em si é muito interessante (embora a da edição fale um pouquinho mais do que devia, o que é bem frequente nos livros da Gutemberg, infelizmente...). A história tem como protagonista Jack, um garoto não tão simpático, cujo maior vinculo é com o amigo Conner. O garoto vê sua vida não tão movimentada virar de ponta-cabeça após sofrer um grave trauma, colocando sua sanidade à prova categoricamente. E tudo piora quando, em uma promissora viagem, ele se depara com um artefato que o afunda em um universo sombrio e sem escrúpulos.

Os demais acontecimentos vou deixar para a experiência de leitor. Quanto à minha experiência, posso garantir que foi a menos favorável com o autor. Não tenho críticas negativas para a narrativa da obra, afinal Smith tem uma escrita excepcional. O autor cria tensão com bastante profundidade, e, como nas obras anteriores, não poupa o leitor de detalhes crus. Seja na violência ou no asco, Andrew expõe as imagens com muita sinceridade, tornando críveis mesmo as cenas mais fantásticas. Aqui não há riqueza de detalhes estéticos (tanto nas locações quanto nas personagens), a narração em primeira pessoa tem como foco a experiência direta de Jack, que nos informa o necessário para seguirmos com a história, sem dispersões.

O enredo também é muitíssimo interessante. O livro engloba três (ou dois, dependendo da visão de cada um) focos para a história, e cada um é especial de sua maneira. Ainda que eu tenha sentido que os conflitos vividos pelo Jack em sua encarnação mais realista tenham sido inferiores em relação aos demais, é inegável que são de fato muito necessários para o andamento dos acontecimentos verdadeiramente interessantes. A lente de Marbury é repleto de mistérios, um surgindo sobre o outro no desenrolar das páginas, e sua conclusões são satisfatórias e impressionantes.

Entretanto, o livro tem uns problemas bem incômodos. Primeiramente quanto a algumas personagens. No quesito relações, a amizade é muito bem retratada - a relação de Jack com Conner, ou com Ben e Griffin é muito bem retratada e singular, o companheirismo que Andrew domina muito bem. Mas o romance, por sua vez, é raso. Tudo acontece muito rápido e é muito difícil de levar a sério. Jack tem 16 anos, e, eu que vos escrevo, também o tive não faz muito tempo, e posso garantir que a história de amor é pouquíssimo convincente. A protagonista é um garoto um tanto tímido e "travado" nas relações, e, realmente, alguém como Nickie seria perfeito para destrancar seu coração. Porém é tudo tão apressado e intenso que um "eu te amo" parece vago e precipitado. A personagem de Nickie é extremamente passiva, seus questionamentos quanto às esquisitices de Jack são mínimos, e ela mais parece uma âncora para ele se apegar ao mundo real do que um amor de verdade.

E essa postura da moça também faz recordar o que, para mim, foi o maior de todos os problemas da obra. É importante que entendamos que um livro, como diversas outras formas de entretenimento, é um veículo de discursos. E, em A lente de Marbury, há alguns discursos muito polêmicos (como é de costume do autor), mas retratados de forma muitíssimo inconveniente. Em primeiro lugar, todas as personagens são brancas, de classe média, e heterossexuais. Claro, não há nenhuma obrigação para que outras etnias, classes e gêneros sejam retratados, mas o maior problema nisso tudo é que o núcleo principal tem uma postura muitas vezes (no mínimo) preconceituosa. Todas as presenças homossexuais são tratadas de forma negativa e abusiva, e a própria visão do gay é depreciada, em diversas frases como:

"Deixa de ser gay".
(página 118)

"Hmm, viadinho!".
(página 172)

Além dessa visão de tiração de sarro quanto a indivíduos homossexuais, o livro também marca presença com expressões e diálogos muito machistas. A perda da virgindade do homem (como de praxe na triste maioria no meio social) é vista como um troféu, e o sentimento alheio não é marcado como relevante, principalmente para as mulheres. Como exemplo:

Conner me deu um tapinha nas costas. "Não dá nem para acreditar que Jack Withmore arrumou uma viagem com duas gostosas. E sozinho! Sou obrigado a dizer que estou reavaliando meu parecer sobre sua orientação sexual, meu amigo!"
"Cuzão!"
"A Rachel é sensacional, cara. Dá até um medinho para falar a verdade, porque nunca saí com uma menina que não fosse uma..." Ele hesitou.
"Vadia?"
"Basicamente. Sim."
(Página 175)

E a pérola:

Às vezes, desciam o rio até São Francisco para de deitarem com as mulheres de vida fácil.
(Página 238)

Embora o livro demonstre uma realidade muito presente no dia a dia de todos, em momento nenhum todas essas frases e diálogos são demonstradas como erradas, ou, pelo menos, discutíveis. Frases como essas são encontradas em diversos outros trechos, tratadas com muita naturalidade e vistas como inofensivas. Mas não são. E não é porque o livro explora o universo masculino que são aceitáveis, afinal, homem algum está em posição de desmerecer qualquer outro ser que seja. Isso deveria ser óbvio.

A Gutemberg também merece uma boa puxada de orelha na revisão do material. São encontrados erros em praticamente todos os capítulos, palavras soltas, sobrando, letras maiúsculas repentinas, termos que às vezes até me tiraram da leitura, me fazendo ter de reler para entender. Mesmo que o livro não seja impressionantemente caro, o zelo é esperado por todos nós que tiramos o dinheirinho de nosso bolso, esperando um bom resultado.

Portanto, posso dizer que o livro diverte e emociona faz roer as unhas. Mas também faz engolir em seco em diversas ocasiões. Assim sendo, posso dizer que, para quem quer uma aventura (que tem continuação) para passar um fim de semana e se entreter, é uma boa pedida. No entanto, é indispensável que os olhos de todos estejam bem abertos para posicionamentos como os citados, não como algo apenas e meramente inofensivo.

Nota: 3,5/5

Essa é minha deixa! Até mais!

Ficha Técnica:

A lente de Marbury
Autor: Andrew Smith
Editora: Gutemberg
Ano: 2016
Páginas: 288

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O Circo da Noite (Erin Morgenstern)

Sinopse: Sob suas tendas listradas de preto e branco uma experiência única está prestes a ser revelada: um banquete para os sentidos, um lugar no qual é possível se perder em um Labirinto de Nuvens, vagar por um exuberante Jardim de Gelo, assistir maravilhado a uma contorcionista tatuada se dobrar até caber em uma pequena caixa de vidro ou deixar-se envolver pelos deliciosos aromas de caramelo e canela que pairam no ar. Por trás de todos os truques e encantos, porém, uma feroz competição está em andamento: um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, treinados desde a infância para participar de um duelo ao qual apenas um deles sobreviverá. À medida que o circo viaja pelo mundo, as façanhas de magia ganham novos e fantásticos contornos. Celia e Marco, porém, encaram tudo como uma maravilhosa parceria. Inocentes, mergulham de cabeça num amor profundo, mágico e apaixonado, que faz as luzes cintilarem e o ambiente esquentar cada vez que suas mãos se tocam. Mas o jogo tem que continuar, e o destino de todos os envolvidos, do extraordinário elenco circense à plateia, está, assim como os acrobatas acima deles, na corda bamba.

Poucas vezes na vida me deparo com obras de arte tão louváveis. Pelo meu gosto eu não diria ser tão incomum me deparar com livros bons, estou sempre a encontrar belas pérolas com ótimos enredos, escritas envolventes, ideias inovadoras. Mas eis aqui algo que vai além disso. Algo que roubou um espaço em meu coração e agora montou seu pedestal nele, uma estatua que ali residirá até o fim dos tempos. Eu estou falando de O Circo da Noite.

Demorei meses para ler O Circo da Noite, pura enrolação. Simplesmente não queria que essa experiência tivesse um fim, eu não queria interromper esse sonho! Mas, infelizmente, sonhos acabam. E esse foi o melhor dos sonhos.

Erin escreve com a leveza de uma fada, dá vida a detalhes e sentimentos que apenas uma maga poderia conseguir, o que me leva a acreditar ainda mais nos mágicos e encantadores do Cirque de Rêves. Eu me encontrava em devaneios deliciosos enquanto deslizava pelas páginas de O Circo da Noite, com um sorriso no rosto ou lágrimas quentes nos olhos. Várias vezes me encontrei no ápice de minhas emoções durante a leitura, a ponto de rogar que o circo de fato existisse e que eu pudesse comprar uma entrada para ele, para vagar por entre as tendas, para compartilhar da experiência dos personagens que o faziam. 


A história se constrói com o passar das páginas de maneira lenta, mas que proporciona um proveito bem interessante, dando a possibilidade de nos aprofundarmos mais nas entrelinhas e conhecermos mais os lugares e as personagens que nos eram apresentados. Temos uma variedade de personalidades fantásticas, com reviravoltas que me levaram a odiar e amar personagens que eu imaginara já ter uma opinião pronta. Fantástico.

Nesse livro a mágica é muito mais do que mágica, e, claro, não pretendo dar mais detalhes, quero que você leia e você desfrute dessas descobertas. Mas esteja preparado para se esbaldar no doce e no amargo de um mundo mágico e vívido, num clima de época que só melhora tudo!

Virei um Rêveur.

Esta resenha é mais para narrar a experiência incrível que tive do que contar a história, pois acho que isso é algo que não se pode resumir em um simples paragrafo ou em dez páginas. Só lendo mesmo. Mesmo que o final não tenha sido tudo o que eu pensei, não tenho do que reclamar. Erin soube usar as palavras certas, os diálogos certos, as belezas certas para findar com magia o que já estava cheio de perfeição. A melhor fantasia que já li.


5/5

Gostou? Compartilhe!

Até mais!


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Maretenebrae - A Queda de Sieghard (L. P. Faustini & R. M. Pavani)

Sinopse: Província de Bogdana, Sieghard, ano 476 após unificação Uma desconhecida força invasora irrompe pelo Grande Mar e ataca a costa protegida pelos soldados da Ordem utilizando-se de navios nunca antes vistos. Imensos. Terríveis. Destruidores. Ao mesmo tempo, uma estranha peste se espalha pelas comarcas do reino, cegando e invalidando sua população. Nobres e plebeus se nivelam padecendo do mesmo e misterioso mal. Em uma iniciativa desesperada, Sir Nikoláos de Askalor, o oficial responsável por defender a Ordem, abdica de todos os planos e estratagemas para investir de uma só vez contra os inimigos, sem saber que assim cairia na armadilha preparada por eles. Com suas fileiras dizimadas, o exército da Ordem recua e toma a direção do Domo do Rei para defender seu soberano, Marcus II, O Ousado, cuja vida representa a perpetuação dos valores ordeiros. Para um pequeno grupo, porém, composto por Roderick, Petrus, Chikara, Heimerich, Braun, Formiga e Victor Didacus - cada qual personificando um dos sete pecados capitais -, as sucessivas derrotas do reino são apenas o início da maior de todas as suas aventuras e desventuras. Diante deles, e de suas incontáveis diferenças, assombra-se um grande plano arquitetado por Destino. Serão eles capazes de enfrentá-Lo? 

Aqui está uma leitura que eu já estava querendo fazer há anos. Maretenebrae sempre teve algo que me atraísse: fosse a belíssima capa com a qual me deparei tempos atrás, ou com a sinopse bem criativa que encontrei no Skoob, eu tinha que ler essa obra nacional de fantasia. A última gota para minha vontade transbordar, foi a vinda desta nova e ma-ra-vi-lho-sa capa; que esplendor! Não suportei mais e tive de correr para ter com os autores e arranjar um exemplar para mim. Já vindo bem a calhar, o pessoal do grupo Livros de Fantasia e Aventura organizou uma leitura conjunta do livro, o que bastou para que eu agarrasse a história das terras do feroz Maretenebrae e a devorasse. 

Devo admitir que me deparei com uma história bem diferente da que idealizei, mas, de maneira alguma, inferior. Pela capa imaginei algo bem mais ligado ao mar, não que não seja, o tal do Maretenebrae é uma figura muito importante na trama, de uma maneira bem mais interessante da que pensei, quase uma entidade viva. Mas, o que encontrei, foi um livro bem mais focado em personagens, na humanidade. A Queda de Sieghard parte da ideia interessantíssima de personificar sete protagonistas em sete pecados e sete virtudes, o que acaba permitindo uma identificação bem própria e interessante. Claro, tem um probleminha aqui e ali, acho que mais por ir fundo demais nas identidades de algumas personagens em devidos momentos, mas nada prejudicial, nada que tenha realmente me incomodado. Carregando toda a história, Sir Heimerick, Braun, Chikára, Pétrus, Formiga, Roderick e Victor Dídacus mostram-se criaturas bem distintas e carismáticas, cada qual de sua maneira.


O enredo é daqueles que progridem com o decorrer da leitura. Os momentos de ação vão sendo mais frequentes e sérios, a aura fantástica é proposta de maneira convincente. A Queda de Sieghard é, no limite do possível, bem "pé no chão", o jeito que tudo é encarado faz do livro bem crível para fans do gênero. A mitologia criada pelos autores mostra muito estudo e esmero, extrema capacidade criativa, sempre apresentada com uma narração elogiável e - muitas vezes - filosófica.

O primeiro de prováveis quatro livros é bem sucedido no que aparenta querer chegar. Sem palavras para o final, que conta com a elaboração das cenas emocionantes, que instigam até a última página, baseadas em habilidosas descrições.




Efins por enfins, apreciei a leitura, que, junto a  Garras de Grifo, quedou-se entre minhas favoritas no cenário nacional. Apaixone-se por Roderick e que a Ordem o guie!

4/5



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O Unitário (Pedro Puech)

O Unitário
Autor: Pedro Puech
Editora: Rocco
Páginas: 240
Ano: 2009

Genial em sua particularidade


Muito se pode imaginar quando se pega um livro sobre a inquisição; quase podemos prever isso e aquilo, imaginar aspectos característicos e pressupor diversas coisas. E é justamente quanto a isso que O Unitário é tão especial: ele é singular. Ainda que encontremos elementos clássicos (e praticamente indispensáveis), do período, O Unitário é muito abrangente e especial, resultando em um texto inteligente que, ainda por cima, não se torna demasiadamente complicado ou denso. Pedro Puech escreve de maneira fluida e leve, utilizando de vocabulário popularmente inteligível e comum, facilitando o compreendimento a um nível que leva a adentrar na realidade sem dificuldade.

A trama se desenvolve muito bem, com reviravoltas aqui e acolá e ótima exploração de localidades; viajamos por grande parte da Europa Antiga e a descrição descontraída e realista de Puech pelo jovem estudado protagonista é ótima no que aparenta querer nos passar. Não há linhas soltas que o enredo não busque responder, tudo é bem amarrado no decorrer do enredo.

Quando terminamos, fica aquele agradável gostinho de missão cumprida, logo que o desfecho é cabal e redundante. A sensação que prega-se ao leitor é plena, absoluta, quase como se tivéssemos acabado de ler um texto histórico do colégio a respeito de um período que apreciamos, em que os fatos se fecham e estamos preparados para a próxima matéria.

No fim do livro, após sua conclusão, também temos considerações muito interessantes do autor, notas a respeito dos fatos e personagens citados, bibliografia muito bem organizada e até poucas imagens de coisas relacionadas à história (dã, isso é óbvio!). 

Não sei muito mais o que dizer, já que não consigo encontrar pontos negativos na obra. Não diria que tornou-se um dos meus favoritos, mas, com certeza, sempre estará na minha memória como uma agradável leitura, completa, divertida. E brasileira, o que enaltece um orgulho gostosinho da nossa pátria.


Então, acho que é isso. Espero que tenham apreciado, e perdão pela demora (já é quase meia noite...). Em suma, essa é minha deixa, guris. Boa noite!

domingo, 17 de agosto de 2014

Uma heroína chamada leitura

Médicos passam remédios e pastores capítulos e versículos. Bem, eu indico livros.

Ainda que filmes sejam um ótimo ingrediente para te puxar uns momentos da sua vida real e te levar para um lugar onde você não tenha que encarar os mesmos cansativos problemas rotineiros e se afundar em uma realidade nada cômoda, nunca vi algo tão útil para entreter e amenizar a aflição como a leitura. HQ's, revistas, livros (principalmente): essa é a minha remediação.

É muito frequente eu ouvir risinhos abafados e vozezinhas caçoadoras que chamam tal de covardia, uma forma de fugir de seus problemas, ao invés de encará-los. Ora, então, no fim das contas, aqui está algo que sou realmente: um covarde. E, confesso, prefiro ser um covarde feliz que um forte reprimido e exausto; afinal, sempre apreciei mais o viver do que o sobreviver.

É entristecedor perceber como as pessoas estão acomodadas no médio satisfatório, e como se mantêm vivos e menos vívidos, bem no suficiente proveniente de pouco esforço. Juro que não estou a discursar uma rapsódia estúpida e infundada, prefiro encarar isto apenas como uma reflexão pouco inspirada a respeito de uma realidade que, simplesmente, incomoda olhos sonhadores.

Sim, eu me refugio nas páginas de um livro. Eu prefiro navegar em uma fantasia, numa distopia, ou numa tragédia que faça com que meus problemas não pareçam tão ruins. Eu prefiro postergar por alguns poucos instantes minha tediosa e complicada vida (ou talvez algo típico das reclamações esdrúxulas relacionadas a uma adolescência comum). E, se é ser covarde, assim sou. Faço tudo isso com um orgulho (provavelmente cego) e busco relaxar pelo menos em uma pausa para poder enfrentar o todo com um pouco mais de dignidade, um pouco mais de força. Acreditem ou não, é isso o que uma boa (ou péssima) leitura faz comigo.

Acho que todos precisam de algo para acalentar suas horas mais infernais. Eu sou um dependente de leitura, e, se isso me faz bem ou não, resta continuar a ouvir as piadinhas que rodeiam-me. 

sábado, 9 de agosto de 2014

Falando sobre As Crônicas de Nárnia

Há alguns anos atrás eu ouvia falar de Nárnia pela primeira vez - um novo filme estreara nos cinemas, com um leão falante, centauros, uma feiticeira malévola e uma menina que viaja para outro mundo através de um guarda-roupa mágico. Há alguns anos atrás eu ganhava de minha mãe um DVD de presente, um filme que ela simplesmente pensou que eu fosse curtir. Há alguns anos atrás, me lembro bem, assistia o mesmo DVD, repetidas vezes, todas as manhãs, quando apenas eu estava acordado na casa - era difícil fazer tudo sem que ninguém me ouvisse. Há alguns anos atrás eu me apaixonava por Nárnia.

Naquela época eu não era o que podemos chamar de um leitor assíduo... Talvez, um iniciante. Sempre pedi livrinhos de aniversário para minhas tias e outros parentes. E, hoje, orgulho-me em dizer que foi graças ao maravilhoso universo do Grande Leão que eu sou o viciado em livros dos dias atualmente. 

Tendo como ponto de partida a vontade de saber mais daquele universo fantástico qual eu conhecera através do filme dos estúdios Walt Disney e Walden Media, comprei o meu primeiro livro com mais de 50 páginas: um lindo volume único com um leão na capa. Inclusive, um volume que arranjou-me muitas discussões - já que minha querida e provocadora de saudades, Vovó Maria, insistia em dizer que ele era um peso para segurar a porta. Foi o primeiro livro em que eu verdadeiramente descobri o que é se entregar à sua imaginação, visualizar tudo a partir de pequenas letrinhas em uma página branca e pálida.


Agora - um pouquinho menos infantil, posso dizer que o universo de C. S. Lewis é, de fato, mágico. Quando comparamos As Crônicas de Nárnia a todas as outras séries e sagas de fantasia, é simplesmente impossível não notar a distinção. Em vezes negativa, em maioria positiva, a originalidade de C. S. Lewis é incomparável: fantasia, moral e entretenimento. Lewis mostrou muito bem que o sangue e a apelação pode, sim, ser apenas um extra numa obra do estilo, e que a sua ausência não é assim tão drástica. 

É tudo mágico.

Cristãos irão se esbaldar, se divertir bastante com as diversas referências presentes em todos os sete livros. Mas, mesmo quem (como eu) não é muito próximo da cultura cristã, a boa notícia é: você se divertirá, e isso não o prejudicará. Afinal, são detalhes que podem sim ser percebidos, mas não precisam ser percebidos. No fim das contas, todos nós colocamos um pouco do que acreditamos no que escrevemos. 

Foi maravilhoso passar esta semana fazendo, cada dia, uma postagem sobre o universo de Nárnia. Se entreguem e aproveitem!

POR NÁRNIA E POR ASLAM!