sábado, 8 de março de 2014

RESENHA| Elantris, de Brandon Sanderson

Autor: Brandon Sanderson
Editora: LeYa
Categoria: Fantasia
Páginas: 576
Ano: 2012

"Em um único volume, Sanderson transporta o leitor para um mundo de fantasia que irá encantar leitores de J. R. R. Tolkien e George R. R. Martin." Um pouco de exagero, né?


Sinopse: O príncipe Raoden, de Arelon, foi um dos tocados pela maldição que o levou a viver, ou a tentar sobreviver, em meio à loucura e maldições da cidade caída que, desde a maldição, tornara-se um cemitério para os que foram amaldiçoados. Prestes a se casar com Sarene, filha do rei de um país vizinho de Arelon – uma mulher que nem chegou a conhecer pessoalmente, mas que, mesmo com um casamento politicamente forçado, passou a conviver por meio de cartas – o príncipe é dado como morto, uma situação que parece ser irremediável, mas que precisa de explicações. E são esses mesmos esclarecimentos que Sarene procura ao chegar em Arelon e descobrir que tornara-se viúva antes mesmo de conhecer seu marido. E a partir daí começa a entender que terá que tomar conta de tudo sozinha, principalmente de um homem chamado Hrathen, um dos mais poderosos nobres, que está disposto a substituir o rei Iadon, pai de Raoden, para poder converter o país à religião Shu Dereth.

Sim, a capa é tão linda quanto aparenta ser. Na verdade, a edição inteira é, desde a folha até a fonte, com uma grande ressalva ao muito útil pequeno glossário no fim do livro. Entretanto, acho que o livro poderia ser um pouco menor se a diagramação não fosse tão grande... Enfim, adoro livros longos.

Elantris é um livro fácil de se ler. Brandon - em seu livro de estréia dentro das muralhas da fantasia! - desenrola muito bem os fatos, agregando bastante emoção nos momentos certos. Mas, o que de fato te cola nas páginas de Elantris, provavelmente é a criatividade. Afinal, muito ouvimos falar de magia hoje em dia, já que a dita cuja - abençoada seja! - já se entronizou em quase todos os livros que dizem respeito à fantasia, mas, infelizmente, a imagem passada pelos zilhões de livros acaba parecendo a mesma, como se fosse apenas outra história contada em universos diferentes, ao mesmo tempo tão parecidos. Isso não acontece com Elantris. Se você está esperando abrir o livro e encontrar magos e seus cajados, dragões e bruxas da floresta, aconselho que procure outro livro. Porque Elantris é Mais.

Não que a magia de Elantris apague a de todos os outros livros de fantasia - gosto muito mais de como é retratada em As Crônicas de Gelo e Fogo -, ela apenas é genial e singular. Assim como toda a mitologia de Elantris, com seus pontos poéticos, humanos e divinos. É uma coisa linda de se imaginar. Uma coisa única.

Entretanto, penso que o maior problema está no avanço. Como disse, Sanderson desenrola muito bem os fatos, mas vai devagar nas horas erradas. Sua preocupação em enriquecer os personagens, fazendo-nos amá-los ou odiá-los em certas vezes se sobrepõe demais, e acaba parecendo meio forçada. Sarene - a princesa - por exemplo. O desespero em fazer ela contradizer qualquer coisa que pudesse ligá-la ao clichê, de tão enfiado na história, acaba tendo um efeito contrário, levando-nos a vê-la como apenas outra mocinha tentando ser mocinho e se frustrando por isso. Até porque, graças a Sarene, até mesmo Raoden - que tem um núcleo fantástico na história - acaba sendo meio coberto. 

Brandon Sanderson
Como consequência, o final se torna apressado demais, milhões de coisas acontecendo ao mesmo tempo, sem que você tenha tempo de processar o que há e o que foi. Mesmo que o golpe vilanesco traga diversas emoções dignas de roer unha, isso poderia ter sido muito melhor aproveitado se fosse um pouquinho mais devagar. Mas, não se deixe desanimar, o final é bem emocionante e surpreendente, e eu não me arrependi de ter acompanhado todas as mais de 500 páginas por ele.

É bem interessante também podermos ter a visão que Sanderson nos proporciona, já que o livro é dividido entre capítulos de Raoden, Sarene e Hrathen, o que se mostra um ponto forte, nos enganando algumas vezes em relação à trama, o que dá mais aquele gostinho bom de descoberta. 

Entre grandes personagens ascendentes e grandes personagens muito explorados, um mundo mágico concreto e fantástico - mesmo que muito centralizado - e uma mitologia deslumbrante, minha avaliação parece até previsível. 

Uma menção honrosa à dedicatória do autor, que eu achei o cúmulo da fofura ^---^

Essa é a minha deixa, leitores! Ido pelas críticas, o que vale é o Omi (elantrinos entenderão)


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