domingo, 13 de abril de 2014

Resenha: Livro#10 e Filme#5: As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa



Outras resenhas da série do livro/filme:
Sinopse: "Dizem que Aslam está a caminho. Talvez já tenha chegado", sussurrou o Castor. Edmundo experimentou uma misteriosa sensação de horror. Pedro sentiu-se valente e vigoroso. Para Suzana, foi como se uma música deliciosa tivesse enchido o ar. E Lúcia teve aquele mesmo sentimento que nos desperta a chegada do verão. Assim, no coração da terra encantada de Nárnia, as crianças lançaram-se na mais excitante e mágica aventura que alguém já escreveu.

[AVISO] Alguns devem está se questionando do porquê de eu estar fazendo a resenha do livro 2 da série antes do 1. Bem, por motivos longos, cansativos, e que não vale a pena ficar discorrendo a respeito, resolvi fazer as resenhas seguindo a ordem de PUBLICAÇÃO da série As Crônicas de Nárnia, já que, para mim, é a maneira mais correta de se ler. Pode parecer uma frescura boba, mas, na minha posição de tagarela opinador, acho que é muito mais proveitoso se ler nessa ordem, e, por isso, resenhar nessa ordem. E já vou aproveitar pra resenhar o filme. 
*Se puderem, leiam o recadinho no fim do post, pra o meu amigo parar com as ousadias

Não é muito fácil resenhar e criticar uma coisa com a qual você já tem uma ligação. Mas, como não é impossível, aqui estou eu. Sou daqueles que, como muitos, conheceu Nárnia e toda a sua mitologia através do filme, que saiu em lá pro meio da primeira década dos anos 2000. E, logo ao assistir pela primeira vez, o amor emergiu de uma maneira quase que inacreditável de tão instantânea. Todas aquelas criaturas, personagens corajosos, crianças corajosas... Foi o primeiro contato com um filme que eu posso dizer que, realmente, senti uma identificação. Afinal, foi uma criancinha da minha idade, praticamente (na época), que abriu o guarda-roupa. Enfim, já dá pra ter uma noção da importância que essa história e esse mundo tem para mim. Então, coragem, façamos a resenha!

O Livro

Alguns aninhos depois de já me dizer fã de Nárnia, e, quando já tinha certo hábito de leitura com um histórico de livrinhos de escola já lidos, resolvi que era hora de ler o livro que contava a história que eu tanto amava. E, sim, As Crônicas de Nárnia foi o primeiro livro da minha estante. É muita emoção! Claro que amei tudo, mas, acreditem, se essa resenha tivesse saído naquela época seria um desastre.

Agora, um pouquinho mais maduro, acho que já posso fazer algo que pelo menos se assemelhe ao coerente, hehe'.

Primeiramente, é importante ressaltar que O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (ufa, que nome longo!) é um livro infantil, portanto, como o próximo C. S. Lewis já se prostrou a respeito, não venha ler se estiver atrás de um banho de sangue, crueldade, ou com cenas picantes. Você não o encontrará aqui. E, o mais interessante, é que isso não tira a emoção de Nárnia, não sendo, de maneira nenhuma, um incômodo. Isso porque Nárnia (vou me referir ao livro assim porque o título é gigante) já é toda completa em seu universo e em sua maneira de ser contada. As palavras de C. S. Lewis, simples e leves, são capazes de contar a história rapidamente, sem se aprofundar em detalhes, como já era de se esperar, e sem parecer superficial e vazia. Acho que ele é um mestre no que faz, porque, até hoje, não li nada que mostrasse tanta profundidade de maneira tão simples. 
C. S. Lewis

É bem interessante também que o livro se passa durante o período da Segunda Guerra Mundial. Isso, no livro, é bem situado até mesmo no período passado no mundo mágico separado do nosso, de certa maneira o aproximando sem ter que colocá-lo como apenas um plano alternativo - uma coisa que uma criança não perceberia... viu, também é um livro para os crescidinhos! 

Não há nada de complicado no enredo, que se segue sem pressa e com ânimo. Gosto disso. Ao mesmo tempo que se tem uma tensão leve (porém bem construída) é possível relaxar após uma leitura cansativa. Tá aí um conselho para os fans de As Crônicas de Gelo e Fogo (estamos juntos nessa, irmãos Stark!).

Entrementes. É uma obra que propõe e cumpre, não decepciona. Você poderá diversas mensagens subliminares (sejam da sociedade, ou, até mesmo, bíblicas) e de maneira nenhuma se sentirá uma criança ao lê-la. Se deparará com personagens cativantes (Lúcia, te amo!), cruéis e malditos (Jadis, ah, sua oferenda nojenta) e, até mesmo, figuras paternas que puxarão lágrimas para os seus olhos e calor para o seu coração (você com certeza já ouviu o nome Aslam um dia, né?). Não há do que se reclamar. E, se houver, não cabe a mim dizer. 




O Filme

Se há no cinema adaptação mais fiel, é difícil dizer. Em termos críticos tendo o filme como algo singular, passa longe de ser perfeito, com algumas locações meio que "falsas demais" e personagens que ficariam muito melhor em CGI e tal. Mas, vendo como uma adaptação, é perfeito. Ele nos introduz tão bem à época passada como o livro o fez, digo ainda, até melhor, usufruindo do que ela pode nos dar em termos de ação, abrindo a obra nunca cena bem legal. Isso, naturalmente, nos aproxima mais dos personagens, e faz com que os vejamos como indivíduos que, apesar da idade, já têm certo nível de madureza. 


A personalidade dos personagens também é explorada de maneira justa, destacando cada um dos protagonistas devidamente, propondo diferenças que mostram que mesmo os irmãos mais unidos podem ser tão diferentes quanto água e vinho. Personagens secundários também recebem seu mérito. Sr. Tumnus (apesar de parecer um pedófilo as vezes com suas caras e bocas) foi grandiosamente interpretado pelo querido James McAvoy (sim, o Professor X) e Aslam. Bem, foi tão Aslam como se é possível ser. Entretanto é Tilda Swinton quem se destaca de verdade. Ela encarna a diabólica Jadis, a Feiticeira (Carrasca) Branca, e dá um espetáculo de olhares, suspiros, uma interpretação que não só me convenceu, mas me comoveu.

Mas, apesar de toda a fidelidade ao livro, sinto que faltou um pouquinho mais de esmero no quesito filme, como, por exemplo, os diálogos. Temos, sim, nossas pérolas (Digory sempre ilumina as cenas com sua participação) mas, em geral, as conversas sempre parecem meio... Desconjuntadas. Facilitadas demais. E, às vezes, até mesmo em animações, é preciso ser um pouco mais adulto para dar mais consistência, para nos convencer do que está sendo falado. 

Como já disse, existem locações meio ruins. Mas, em compensação, muitas são as cenas em que nossos olhos se enchem com a beleza de Nárnia - quase como se o diretor tivesse dito "vamos poupar a beleza no começo para surpreender no final". Essa mudança (não totalmente agradável nem desagradável) faz com que nos sintamos parte de uma flor ao desabrochar.


Não é novidade para ninguém mais que eu amo Nárnia então. Apenas espero ter sido justo nessa breve avaliação, e, se houveram alguns exageros, perdoem este pobre menino sentimental. Meu conselho? Quem não conhece, ou ainda não tinha interesse pelo livro/filme, vá atrás, porque ambos são ótimos.

Informações técnicas (livro)

The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe
Autor: C. S. Lewis
Editora: Martins Fontes
Páginas 88 (NO VOLUME ÚNICO!)
Ano: 2010 (VOLUME ÚNICO)
Gênero: Fantasia/Aventura

Informações técnicas (filme)

Nome original: The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and tje Wardrobe
Ano: 2005
Duração: 143 min.
Direção: Andrew Adamson
Roteiro: Andrew Adamson, Ann Peacock, Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Georgie Henley, William Moseley, Skandar Keynes, Anna Poppleweel, Liam Neeson (voz), Tilda Swinton, James McAvoy
País: Reino Unido/EUA
Baseado na obra de C. S. Lewis


*Yago, meu caro DrugFriend, eu sei que você, como todo o mundo, me ama, não precisa ficar se mostrando assim. E, além disso, sei que o seu SONHO é soltar a franga à la Gaiola das Loucas, então, se precisar de auxílio ou moradia (caso seja expulso de casa) as portas daqui estão abertas. Eu adoraria te matar enquanto dorme, então, não se atreva a me zoar mais ;) .

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