terça-feira, 1 de abril de 2014

RESENHA| O Hobbit, de J. R. R. Tolkien

The Hobbit
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes
Páginas: 297
Ano: 1998 (Edição Nº 2)


O título de leitura obrigatória para fans de fantasia não é apenas justo, é uma lei.

Sinopse:Inesperadamente, Bilbo Bolseiro, um hobbit de vida confortável e tranquila no Condado recebe a visita de 13 anões e Gandalf que o arrastam em uma jornada através das montanhas e das terras ermas enfretando trolls, orcs, wargs, elfos para o resgate de um tesouro muito bem guardado por Smaug, o dragão. Bilbo se vê em diversas confusões e encontra algo que mudaria não só sua vida como de toda Terra-Média.


É, quem diria que uma sinopse tão simples se abriria em um livro tão genial. Esse mês foi cheio de "primeiras experiências" com autores, e, ter Tolkien como o representante da fantasia não podia ser menos do que um bálsamo para alguém que já não lia tanto tinha um tempinho. Sabe quando a leitura já começa boa e não fraqueja? Então, isso é O Hobbit.

Confesso que fiquei um pouco temeroso antes de ler, pelo motivo que todo leitor conhece: a fama de Tolkien. Será mesmo que eu estaria preparado para um nível descritivo tão alto (mesmo já tenho lido As Crônicas de Gelo e Fogo, que são também muito descritivos)? Será que não era melhor esperar minha "leitura" amadurecer? Bem, resolvi enfiar a mão no fogo de uma vez e ver no que dava. E que calorzinho bom foi aquele!

Não é tão descritivo assim

J. R. R. Tolkien
Claro, é fato que a escrita de um autor vai mudando conforme ele avança e toma experiência, mas O Hobbit, singularmente, não é um banho de descrições inúteis e jogadas superficialmente. O que está lá tem o seu valor, faz com que a construção da vasta Terra Média (qual pretendo voltar a visitar logo em breve) tenha uma base mais concreta e realista - diferentemente do que C. S. Lewis fazia, deixando muito por "imagine você". Entretanto, isso não faz com que seja uma leitura fácil. Se há uma palavra para descrever O Hobbit é denso. Uma carne para dentes fortes. Os acontecimentos são frequentes, raras são as cenas de enrolação, mas, mesmo nos momentos "tcham!" do livro podemos perceber uma maré dura. Eu, particularmente, aprecio esse tipo de experiência, mas não afirmaria que é um agrado geral. 

Além de que, essas descrições densas consolidam muito bem as belíssimas locações por onde os aventureiros passam, numa maestria que me arregalou os olhos e me fez suspirar diversas vezes - tendo como a única decepção Valfenda, que eu esperava mais. 

Canções

Parte integral da obra, as canções são um ótimo tira-gosto. Em vezes poéticas e maravilhosamente organizadas, em outras apressadas e sem coerência, é incrível como conseguem traduzir as situações presenciadas, de modo que nunca pareçam pequenos textos inconvenientes colocados ali apenas para ocupar espaço. Eu, como amante de poesia, adorei.



Os personagens são bem divertidos, apesar de alguns dos anões (quais não me peçam para lembrar os nomes) parecerem um pouco excluídos, se comparados ao destaque que é dado, por exemplo, a Bombur (que eu, particularmente, desgostei completamente). De qualquer maneira, seria difícil chamar a atenção para todos, já que são tantos. Fora do núcleo de protagonistas, raros são os personagens que eu tenha algo a reclamar, pois (meus parabéns Tolkien) é bem assustadora a capacidade do autor de personalizar cada alma viva de modo tão próprio e único, tão bem quanto ele caracteriza os locais.

Um outro ponto positivo é a ligação do livro com a trilogia que o sucede, O Senhor dos Anéis. Sabemos que ele não era bem um planejamento de Tolkien àquela altura, mas, pra quem conhece pelo menos os filmes, é um ótimo aperitivo! Personagens, origens, razões para acontecimentos... Adorei como o autor aproveitou certos pontos de O Hobbit e os inseriu nas histórias seguintes! Afinal, não há nada melhor do que aquela sensação de "cara eu sei o porquê disso!". Só o fato de ter o anel já seria o suficiente para "pirar o cabeção" dos nerds assumidos de plantão, mas (it's fucking mazing) não é só isso.

É muito difícil achar pontos negativos nessa tão genial obra. A Terra Média, sem dúvidas, é um dos melhores mundos quais já pude visitar, os diálogos são cativantes (adivinhas definem, apenas) e os personagens surpreendem com astúcia, coragem, covardia, ações inimagináveis... Apenas acho que não é o tipo de livro que qualquer um pode ler (seria isso negativo?), e me vejo estranhando o fato de ter sido escrito para os filhinhos do Vovô Tolkien. Mas enfim, se você tem um bom e destemido espírito Tûk, levante esse traseiro da cadeira e vá atrás de um exemplar de O Hobbit!

Essa é minha deixa. Tchau seus hobbits, anões e elfos lindos :)

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