domingo, 15 de junho de 2014

Resenha: HQ#4: Três Sombras

Trois Ombres
Autora: Cyril Pedrosa
Editora: Quadrinhos na Cia
Páginas: 272
Ano: 2011

Sinopse: Joachim e seus pais levam uma vida tranquila em uma pequena casa no campo. A aparição de três sombras no alto de uma colina, no entanto, corrói a harmonia da vida em família e enche os pais de dúvidas. Seriam viajantes? Por que estão rondando a casa? A cada tentativa de proximação, as figuras misteriosas desaparecem. Logo, eles percebem que as sombras estão ali para buscar Joachim. Recusando-se a aceitar esse fato, o pai foge com o filho em uma viagem febril e desesperada, sempre com as sinistras sombras em seu encalço. Joachim deixa assim seu mundo idílico pela primeira vez para viajar por terras hostis em um navio precário, onde conhe cerá um mundo cercado de adultos trapaceiros e imorais. 



Primeiramente, vou dar um conselho pra quem, assim como eu, estava há alguns meses, estiver entrando no mundo das graphic novels: quando ler algo muito bom, dê um tempo. Graphic novels são muito mais rápidas de se ler, e, bem, embora não tomem tanto tempo quanto um livro toma... Digamos que o peso da decepção acaba sendo maior, afinal, há muito a se avaliar e apreciar. Isso pode ser algo pessoal, sei, mas eu tinha de pôr pro mundo saber.

Ou seja, não leia nada do estilo logo após ler Retalhos. Sério. Se quiser entender um pouco melhor a minha relação com Retalhos, clique aqui. Mas se prepare, eu não garanto um texto muito são. 

Cyril Pedrosa, todo carismático
Mas... Sim, eu sei que não é justo avaliar uma obra em comparação às sensações proporcionadas por outra totalmente distinta, portanto, esqueçamos a obra de Craig Thompson e vamos falar de Cyril Pedrosa. Descobri Três Sombras entre os livros da biblioteca da minha escola - que já me proporcionou experiências incríveis (não só com livros he') - e fui com a cara dele logo de cara, já até deixando pra lá o livro que eu estava para alugar. A capa e uma breve folheada no conteúdo já me pegaram de jeito.

Imagina agora quando li a sinopse! Aconselho vocês, também, a lerem o texto de dentro, nas orelhas. É lindo. Como deu pra perceber, Três Sombras tem o seu pé meio encostado na fantasia logo de cara. Isso fica evidente logo nas primeiras páginas, e é importante ressaltar que não funciona mal; tudo é tratado com a naturalidade necessária, mostrando-nos que, naquele mundo, sim, existe um sobrenatural. Só não pense que isso é visto como algo do dia-a-dia, não é o que quero dizer. 

Os desenhos da obra de Cyril com certeza são a melhor parte de tudo. São muito expressivos e casam perfeitamente com o título, já que somos sempre presenteados com belíssimos planos com sombras esplêndidas. Vemos tanto a simplicidade, em dias claros e felizes onde o sol rondeia tudo e todos, quanto o esforço - acertado - do francês em nos vislumbrar com planos escuros, com sombras de diversos tons, tamanhos e profundidades (e esses são os meus favoritos). Isso faz com que tenhamos a deliciosa sensação de duplo sentido com o título, entendem? Será que ele seria tão bom assim se dissesse respeito apenas às três sombras assustadoras na história?

No entanto, é na história que a obra peca. Primeiramente, nos diversos clichês. Talvez tenha sido a intenção do autor, mas, para mim, não foi possível absorver as ideias com um mínimo de naturalidade. Isso é muito perceptível no começo, quanto nos é apresentado Joachim e seus pais. Suas cenas de introdução não podiam ser mais piegas... Claro, em uma breve reflexão, me pondo no lugar daquelas pessoas, ali, pensei que talvez aquilo pudesse ser real... mas, não. A profundidade que pesa nos desenhos falta no enredo. Isso é também visto no decorrer, embora nem tanto.

E, em decorrência disso, acaba sendo meio incômodo o esforço que o autor faz em tentar nos comover. Afinal, uma história tem todo um misto de sentimentos, mas não, para Pedrosa, a cada instante você deve estar com os olhos marejados. O que não acontece. Os momentos são, sim, bem imprevisíveis, temos umas sacadas bem interessantes, mas o sentimentalismo enfiado não cai legal. De modo que, para classificar esse livro, resolvi me desprender do lado drama e encará-lo somente como fantasia ou algum sub-gênero mais sentimental da dita cuja.

O final - embora meio apressado - é bonito. Uma coisa que gostei bastante nas ideias de Pedrosa é que nada é batido muitas vezes na mesma tecla. Vocês precisam de explicação? Vocês terão. Se vocês vão entender, isso diz respeito apenas a vocês. A conclusão dos porquês da trama é bem sagaz e, apesar do desfecho também cair no lago do piegas, é bonito. Mostra como você deve se adaptar às reviravoltas da vida, aceitar o imutável e tentar ser feliz com o que se tem. 


Espero que tenham tirado algum proveito, rs. E, novamente (como já disse lá na página), perdão pelo atraso monstruoso.
Essa é a minha deixa. 
Até.



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