domingo, 17 de agosto de 2014

Uma heroína chamada leitura

Médicos passam remédios e pastores capítulos e versículos. Bem, eu indico livros.

Ainda que filmes sejam um ótimo ingrediente para te puxar uns momentos da sua vida real e te levar para um lugar onde você não tenha que encarar os mesmos cansativos problemas rotineiros e se afundar em uma realidade nada cômoda, nunca vi algo tão útil para entreter e amenizar a aflição como a leitura. HQ's, revistas, livros (principalmente): essa é a minha remediação.

É muito frequente eu ouvir risinhos abafados e vozezinhas caçoadoras que chamam tal de covardia, uma forma de fugir de seus problemas, ao invés de encará-los. Ora, então, no fim das contas, aqui está algo que sou realmente: um covarde. E, confesso, prefiro ser um covarde feliz que um forte reprimido e exausto; afinal, sempre apreciei mais o viver do que o sobreviver.

É entristecedor perceber como as pessoas estão acomodadas no médio satisfatório, e como se mantêm vivos e menos vívidos, bem no suficiente proveniente de pouco esforço. Juro que não estou a discursar uma rapsódia estúpida e infundada, prefiro encarar isto apenas como uma reflexão pouco inspirada a respeito de uma realidade que, simplesmente, incomoda olhos sonhadores.

Sim, eu me refugio nas páginas de um livro. Eu prefiro navegar em uma fantasia, numa distopia, ou numa tragédia que faça com que meus problemas não pareçam tão ruins. Eu prefiro postergar por alguns poucos instantes minha tediosa e complicada vida (ou talvez algo típico das reclamações esdrúxulas relacionadas a uma adolescência comum). E, se é ser covarde, assim sou. Faço tudo isso com um orgulho (provavelmente cego) e busco relaxar pelo menos em uma pausa para poder enfrentar o todo com um pouco mais de dignidade, um pouco mais de força. Acreditem ou não, é isso o que uma boa (ou péssima) leitura faz comigo.

Acho que todos precisam de algo para acalentar suas horas mais infernais. Eu sou um dependente de leitura, e, se isso me faz bem ou não, resta continuar a ouvir as piadinhas que rodeiam-me. 

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