quinta-feira, 6 de julho de 2017

SELVA DE GAFANHOTOS - ANDREW SMITH (Resenha)

"Você nunca leu nada igual", diz John Green na capa verde e chamativa do livro da editora Intrínseca. Eu adoro quando me falam a verdade!

Selva de Gafanhotos é um livro único, guarde isso no seu coração. O livro conta a história de um jovem garoto (com muito tesão) chamado Austin Szerba, que tem um amigo inseparável chamado Robby Brees e uma namorada, Shann Collins. Agora, una indecisões amorosas (ou sexuais?), em uma cidade pequena e pouco notável a uma infestação louca de gafanhotos de um metro e oitenta, sanguinários e canibais.

Difícil de acreditar, não? Para mim também foi.

Selva de Gafanhotos foi o segundo livro que li de Andrew Smith. Após memoráveis momentos com Minha metade silenciosa, seu drama YA particularmente tocante, eu tinha altas expectativas com o livro verde lançado em 2015, embora não soubesse muito o que esperar. Não me importava muito. No entanto, após ler a diferente sinopse que a editora lançou (de forma muito superior às sinopses que a Gutemberg lança nos títulos do autor), agarrei esse livro e não o soltei até completar a leitura de todas as 350 páginas. 

A obra de Smith, originalmente publicada em 2014, é dotada de uma leitura rápida, saborosa e dinâmica. Escrita na primeira pessoa, Austin tem pensamentos que ao mesmo tempo são extremamente atípicos e ordinariamente comuns para um garoto adolescente, no famoso período de transição que é bem retratado nos livros de Smith. O livro é extremamente irônico e engraçado, os títulos dos capítulos são únicos (Caiu sangue no seu presunto, Indo a um lugar aonde você não deveria ir, A História é cheia de merda e etc), e são muito fluidos, muito devido à extensão - são capítulos curtos, cada um com a quantidade de informação necessária para fazer jus aos títulos - e ao próprio eu de Austin.

Os personagens aqui criados são muito bem construídos, mesmo que não haja necessariamente um aprofundamento tão amplo fora da "trindade principal" da história. Smith posiciona indivíduos facilmente apegáveis, com características próprias que contribuem para o andamento dos acontecimentos, e que não sobram no enredo apenas por marcar presença. Como de costume, um destaque especial para as coadjuvantes do livro (quem melhor para fazer isso do que o querido Andrew?). Robby é o melhor amigo que todo garoto gostaria de ter, e é indispensável para a trama - tanto nos conflitos de Austin, quanto no próprio "apocalipse" que se anuncia na trama. Shann também tem seu carisma, embora às vezes pareça ofuscada, mas também se faz útil e importante para o seguimento.

A história em si tem toda uma ambientação num estilo meio trash, dando frequentemente a sensação de que tudo poderia estar muito bem inserido num filme de horror antigo, daqueles que você cobre os olhos com cenas tão nojentas quanto arrepiantes. A forma como o autor cria a tensão é extremamente original, te guiando no decorrer das linhas de forma que você sente já saber o que está para acontecer ao mesmo passo que, pasmo, é surpreendido. 

E, claro, uma salva de palmas para a Intrínseca, que fez um trabalho gráfico primoroso na edição. Não encontrei erros muito chamativos em toda a minha experiência, o que contribuiu para a imersão na história. E o livro é completamente lindo, alternando-se todo entre verde e amarelo. A capa é de um verde meio neon muito chamativo e as extremidades das folhas são tingidas de algo como amarelo-limão também notável, de forma que, fechado, o livro é quase um louva-deus em cubo.

Espero que esta resenha anime aos interessados e deixe curiosos os que não conheciam. Estou com o Sr. Verde ao dizer que é uma obra inigualável, acrescentando que é divertida, medonha e TOTALMENTE GROTESCA. Ou seja, é tudo o que se tem de bom e melhor. Tenham todos uma boa leitura!

Nota: 5/5

Essa é minha deixa!

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